Foto: Dida Sampaio / Estadão
Delatora na Operação Duas Rosas, que apura a ligação entre políticos e uma facção criminosa na Bahia, apontou o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) como suposto beneficiário de um esquema de propina. Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, afirmou em depoimento ter facilitado a fuga de 16 traficantes do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo ligado ao Comando Vermelho.
Segundo a delação, a facção pagaria R$ 2 milhões pela fuga. Joneuma relatou que o ex-deputado Uldurico Júnior (PSDB), preso na semana passada e responsável por sua indicação, teria dito que o dinheiro seria dividido: metade para ele e a outra metade para Geddel, a quem se referia como "o chefe". Geddel Vieira Lima repudiou as afirmações, negou conhecer a delatora e qualquer relação com a fuga, classificando a acusação como "brutal sacanagem".
A defesa de Uldurico, por sua vez, considerou as acusações infundadas e uma "perseguição política". As investigações são conduzidas pelo Ministério Público da Bahia, que firmou acordo de colaboração com Joneuma, presa em janeiro de 2025 após ser afastada do cargo. Geddel, que já foi ministro e deputado, foi preso em 2017 por lavagem de dinheiro e segue influente no MDB.