Três trabalhadores rurais foram resgatados em situação análoga à escravidão na Fazenda Morrinhos, localizada na zona rural de Serrinha, no centro-norte da Bahia. A operação, realizada na última quinta-feira (20), contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), auditores-fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). As vítimas foram encontradas vivendo e trabalhando em condições degradantes. De acordo com o MPT, os trabalhadores não tinham contrato formal e recebiam entre R$ 300 e R$ 500 por semana. Eles cumpriam jornadas exaustivas, de domingo a domingo, sem direito a descanso. Um deles relatou que, em mais de cinco anos de trabalho na fazenda, teve apenas um dia de folga. Os outros dois, contratados há três meses, também afirmaram não ter pausas regulares. No momento da fiscalização, dois aplicavam agrotóxicos sem qualquer equipamento de proteção individual (EPI), enquanto o terceiro cuidava dos animais. As condições de alojamento eram extremamente precárias. Os trabalhadores viviam em espaços sem sanitário ou água tratada, e a cozinha improvisada funcionava em uma baia ao lado de um chiqueiro de porcos, exposta a forte mau cheiro. Apesar da estrutura robusta da propriedade e do grande plantel de animais – incluindo porcos, bois, ovelhas, galinhas e avestruzes –, o empregador não oferecia condições mínimas de dignidade para os empregados. O empregador, Geraldo de Aragão Bulcão, de 98 anos, foi convocado para uma audiência na Gerência Regional do Trabalho em Feira de Santana nesta segunda-feira (24), mas não compareceu nem enviou representantes. O MPT e a DPU devem propor um termo de ajuste de conduta para indenizar os trabalhadores por danos morais. Caso não haja acordo, será ajuizada uma ação civil pública. As vítimas aguardam o pagamento das verbas rescisórias e receberão seis parcelas do seguro-desemprego especial.