Por: Alan Rich / Blog Sudoeste | sáb, 18/04/2026 - 11:00
O ex-ministro Geddel Vieira Lima se manifestou neste sábado (18) após ter seu nome citado na delação premiada da ex-diretora Joneuma Silva Neres, presa em Eunápolis, no Extremo Sul da Bahia. Geddel negou qualquer envolvimento e acusou o ex-deputado Uldurico Jr. de ter "problemas psiquiátricos" e ser "envolvido com drogas", utilizando seu nome para acobertar crimes.
A delação de Joneuma, que facilitou a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, teria apontado cobranças de R$ 1 milhão por parte de Geddel a Uldurico Jr. Em declaração ao BNews, o ex-ministro afirmou que tratava Uldurico apenas como um quadro partidário e que só descobriu seu "caráter e vagabundagem" após o ocorrido.
Geddel descartou qualquer relação com a ex-diretora e classificou Uldurico como "inconsequente e irresponsável". "O caso dele é psiquiátrico, tem que ter tratamento psiquiátrico. Ele é envolvido com drogas", declarou, pedindo rigor da Justiça contra o ex-deputado por usar seu nome "descaradamente" para acobertar crimes de terceiros.
A reportagem tentou contato com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP-BA) para posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação.
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, é acusada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de ter recebido cerca de R$ 1,5 milhão ao favorecer detentos ligados à facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), posteriormente incorporada pelo Comando Vermelho (CV). Segundo a denúncia, o valor teria sido pago em apenas seis meses, período em que Joneuma ocupou o cargo de diretora, entre março e dezembro de 2024. De acordo com as investigações, Joneuma atuava diariamente no planejamento da fuga dos presos, liderada pelo chefe do PCE, com quem mantinha um relacionamento amoroso. Para dificultar a descoberta das irregularidades, ela teria usado influência política junto ao ex-deputado federal Uldurico Pinto para direcionar contratações e demissões dentro do presídio. Servidores que não colaboravam com as ações eram substituídos por pessoas próximas à diretora, inclusive sua irmã. A denúncia detalha que, como parte da logística do plano de fuga, todos os líderes do PCE foram transferidos para as celas 44 e 45 do pavilhão B, facilitando a comunicação entre eles. O roteiro da fuga previa a escavação de um buraco no teto da cela 44, por onde os detentos conseguiram acessar a passarela e a parte externa do presídio. Joneuma teria fornecido uma furadeira ao grupo criminoso para a realização da escavação. Após o episódio da fuga, Joneuma foi exonerada do cargo em dezembro de 2024. O caso segue sob investigação, com apuração sobre o envolvimento de outros servidores e possíveis ramificações políticas e criminais.