Médicos e servidores da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), localizada em Caetité, no sudoeste da Bahia, realizaram uma manifestação na manhã desta quinta-feira (6) para denunciar atrasos salariais e a interrupção de serviços essenciais. A unidade, que atende pacientes oncológicos de Caetité e outros 43 municípios da região, enfrenta uma crise que já afeta o funcionamento do centro cirúrgico, ambulatórios e tratamentos de quimioterapia. Segundo o médico Linneker Ferreira, o centro cirúrgico está fechado há três meses, e os médicos cirurgiões estão sem receber desde julho de 2024. Ele também destacou que a falta de insumos e medicamentos compromete o tratamento dos pacientes oncológicos e impede a admissão de novos casos. “Estamos indo para o quarto mês de atraso salarial. O último pagamento foi no início de dezembro de 2024”, afirmou. A Fundação Terra Mãe, responsável pela gestão da unidade desde 2020, atribuiu a crise ao atraso nos repasses financeiros por parte da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) e da Prefeitura de Caetité. No entanto, a Sesab negou as acusações e afirmou que os repasses estão em dia. Em nota, a secretaria informou que adotará medidas para garantir a continuidade dos atendimentos, enquanto a Prefeitura anunciou ações judiciais para reassumir a administração da unidade. Diante do impasse, médicos e servidores acionaram o Ministério Público do Trabalho, que abriu um inquérito para investigar o caso. A Unacon é referência em oncologia para quase um milhão de habitantes na região e oferece serviços como terapia oncológica, cirurgias e atendimento em UTI. Os manifestantes pedem uma solução urgente para evitar o colapso total do hospital e garantir assistência aos pacientes.